quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cai a Máscara

Neve, neve, neve.
Lua, lua, lua.
Leve, leve, leve.
Nua, nua, nua...
Perdida e solta ao vento,
despida mentira fria.
Talhada verdade dura.
Sua em tempo  lento
e breve, breve, breve...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mania de Inventar

Desenho o seu rosto
na fina transparência da imaginação.
Que mal há se ele desaparece,
quando o busco na vontade oculta
e fugidia dos que inventam?
Não o quero na demorada rotina
que sorve dos meus versos
a poesia.
Mas aqui e ali, ora sim ora não,
nas verdades inventadas 
da minha fantasia...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Rima Teimosa

Dizem que sou teimosa,
porque faço rimas.
Que nada!
Apenas sou poeta.
Teimosa é a minha poesia...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Clara Ousadia

VEM DE ONDE ESSA VORACIDADE
EM DECIFRAR-ME?
DE IR  MAIS ALÉM,
MUITO MAIS DO QUE EU DEVIA?
DE ROMPER MINHAS BARREIRAS,
COMO SE FOSSEM TÊNUES CRISTAIS?
REMEXO NO MEU ABISSAL, AFASTANDO
AS ALGAS QUE ME ENCOBRIAM
E ME VASCULHO,
NESSE MERGULHO ABUSADO
E FUNDO DE MIM.
QUANDO VENHO  À TONA
DA MINHA OUSADIA,
NÃO ME SURPREENDO COM A DESCOBERTA.
TUDO ESTAVA TÃO CLARO,
 EU É QUE NÃO VIA...

Asas Poéticas

RECONHEÇO OS MEUS LIMITES
E, CERTAMENTE, NÃO POSSO
BRIGAR COM ELES.
DISTINGO O QUE ESTÁ AO MEU ALCANCE
E SOU PRUDENTE PARA NÃO OUSAR
ALTURAS INALCANÇÁVEIS,
ONDE O MEU CLAMOR NÃO ECOA.
TEMO A IMENSIDÃO DESÉRTICA
QUE ME ESVAZIA...
PREFIRO OBSERVAR A BORBOLETA
QUE BAILA SONOLENTA
E O PÁSSARO QUE VOA...
POIS AS MINHAS ASAS SÃO APENAS POÉTICAS.
É PARA A DIREÇÃO QUE OS MEUS PÉS CAMINHAM
QUE EU DEVO ESTAR ATENTA......



Embriaguez da Alma

No cristal dessa taça de vinho,
estou à flor da pele...
À flor da pele eu não estaria,
se a flor não me revestisse,
se eu não tivesse pele...
O que seria da flor
se não fosse flor a minha pele?
Ah, sonho, não me arraste,
não me deixe lassa!
Brindo à vida que passa,
ao suspiro que  me resta
e ao tempo que me enlaça...
Se mal tenho pernas nesse torpor,
tropeço nas brumas esbranquiçadas
que me abraçam de mansinho:
ora nuvens ora ninhos.
Não recuo nem me detenho,
se tudo que avisto nessa taça de vinho
ou é o sono que me vence
ou é o cansaço,
  cansaço o que tenho...

Integrada

Sumo sumiços que assumo
repasso os passos tropeçados
retorno em atos que retomo
refaço laços desatados
adorno o beijo reatado
entoo o canto que me abriga
espalmo mãos entrelaçadas
volteio em abraços acolhidos