sábado, 26 de dezembro de 2015

O amor que eu temo


Temo aquele amor vago, distraído
que morre, passageiro,
sem se saber por quê...
Temo o amor traiçoeiro e fingido
que mata por querer.
Mais temo, ainda, o amor que finda
sem ter-se dado por inteiro,
se for para ser assim,
prefiro morrer primeiro...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Fogo e lágrimas

(Desabafo desta poeta, ante a destruição pelo fogo do Museu da
  Língua Portuguesa-SP)


O fogo queima o monumento da cultura,
as lágrimas, o nosso rosto...
Tombam em chamas e cinzas nossas referências 
ensinadas e compreendidas.
Queimam as palavras, os nossos poetas e autores amados,
embora eternizados na intelectualidade absorvida.
Tombam desguardadas as torres culturais.
Tombamos, fragilizados, na vigilância dos nossos livros,
vigilância, se foi tanta, não é mais,
também arde perdida...
Choram ali, queimados, os imortais do saber.
Choremos com eles, em nós, vivos.
Choremos unidos na dor.
Choremos pela arte, ardendo, desfalecida!


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Quando sou intensa


     Sou intensa, quando saio do meu eu absoluto e egoísta e lanço um olhar atento, ao meu redor, na busca harmoniosa com o outro.
      Sou  intensa, quando não me deixo abater em conformismos e  me exponho ousada à luta
       Sou intensa, quando fico brava com as injustiças e me impulsiono irascível para combatê-las. 
      Sou intensa, quando o meu fervor se sobrepõe à minha descrença.
      Sou intensa, quando sei que posso minimizar a dor, recorrendo às minhas forças nascidas de um otimismo que exercito.
      Sou intensa, quando não nego os meus medos e aciono a minha coragem.  
      Sou intensa, quando erro e quando peço perdão. 
      Sou intensa, quando não retroajo no meu determinismo e nas minhas convicções.
     Sou intensa na minha humildade.
     Sou intensa nos meus sonhos: voo sempre bem alto e bem longe... Mas sou intensa quando pouso os meus pés na realidade que me espera.
     Sou intensa, quando tenho que convencer o irredutível. 
       Sou intensa, quando derrotada e vencida.
     Sou intensa, quando comemoro uma conquista, passeando minhas reflexões sobre as dificuldades em alcançá-la.
     Sou intensa, quando ferida e intensa quando curada.
      Sou intensa quando oro, quando agradeço, quando faço escolhas, quando me entrego e me doo com alma a alguém.
     Sou intensa em tudo a que me disponho, porque a superficialidade me afoga, é a profundidade que me aconchega.







Ponte florida sobre abismos



     Não há idade para a emoção afetiva, mas quantas pessoas vivem à beira de seus abismos, frios e inacessíveis, sem se permitir o amor. Trancafiadas em si mesmas, envelhecem por dentro, enquanto a vida em seus rostos clama viver. Réstia de luz que insiste passar sob seus olhos.
     O tempo escoa...  E a cada dia se faz menor, transcorrendo em direção contrária à letargia de quem não se permite amar. E permitir-se amar não é propor-se aventuras efêmeras que farão com que todos os relógios pareçam correr ainda mais vertiginosos. Também não é abraçar sonhos irrefreáveis e sem direção que podem desabar sobre rochas.
      É possível sonhar sentindo o chão sob os pés. É possível sonhar e consentir-se um amor bonito que bater à porta. A vida pode ser curta, mas não é se privando vivenciar um sentimento que ela há de parecer mais longa e prazerosa. Tão-pouco, não é percorrer os caminhos que faltam, dando lugar unicamente a esparsos amores, interrompidos ou malcomeçados.
      Sem desafiarmos limites e quebrarmos grilhões que nos aprisionam, roubaremos de nós a chance de vida.
      Permitir-se é erguer uma ponte florida sobre os abismos que cavamos ao nosso redor e experimentarmos ser felizes. Pode dar certo, pode valer a pena.