domingo, 15 de outubro de 2017

Que importa?


Que importa se é verdade
o amor que minto,
se me escapa quando o retenho
e se o tenho, fugidio o sinto?
Como as folhas ralas onde me embrenho,
como a chuva breve que logo é estio,
que importa se ele vai logo embora
e, em silêncio, só deixa o cheiro
que se esvai no efêmero das horas,
se todo amor que sinto é passageiro...?



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Raízes

                           
                           
Onde estão minhas raízes, como sabê-las?
Aquelas que nos amarram, nos ficam à terra
de tradições envelhecidas, não hei de querê-las!
Tenho veladas saudades de presenças idas,
amores continuados, outros já esquecidos...
Se a minha vida segue, por vezes retornada,
onde estão minhas raízes desse tempo desconhecido?




terça-feira, 27 de junho de 2017

O que deixo levar

Parecia geada a chuva branca tão fina,
de vento esquivo, cortante e frio,
umedecendo telhados com densa neblina,
esfumaçando as vidraças à espera do estio.

Também caudalosa, desabo em bueiro,
deixo levar tudo o que eu fantasio,
deixo levar, no furor do aguaceiro,
as dores sofridas e os meus dias sombrios.   





terça-feira, 6 de junho de 2017

A vida que vale


Coisas para dizer eram tantas,
mas ela não conseguia...
A voz travada e presa na garganta,
por longas horas e no resto do dia...

O olhar desolado, pasmo e frio
e a lágrima que também não caía.
Para que chorar por esse vazio,
se sempre foi assim, ela que não via?

Tudo passa, e a tormenta vai indo...
Talvez alguma cicatriz, antes ferida,
mas até ela um dia vai sumindo.
Fica a vida, a vida que vale ser vivida!





domingo, 14 de maio de 2017

Fuga Vã


Teus olhos insistentes me buscavam
pelas minhas veredas insondáveis.
Olhos fustigantes, hábeis labaredas,
que insinuantes me desvendavam.
Eu me esgueirava, delirante e fugidia,
fugidia, delirante e tonta.
E fugia, fugia, fugia...
Mas para onde ir e para onde eu ia?
O que não sei ou não me dou conta?
A minha fuga era inútil, eu bem sabia,
não era do teu olhar que eu fugia,
a minha fuga era inútil, eu bem sabia,
a minha fuga era do que eu sentia...


segunda-feira, 13 de março de 2017

Só eu sei...

Quem o meu nome chama
ecoando feito um grito?
Quem por mim reclama,
suspirando no infinito?
É vão esse clamor bramido,
esvaído de  espera sem fim. 
É vão este calado gemido,
que  grita  dentro de mim...

O silêncio me estende seu manto
e encobre o que penso e o que sinto,
se sorrio, não é riso, é pranto,
se nego, só eu sei quanto minto...