terça-feira, 27 de junho de 2017

O que deixo levar

Parecia geada a chuva branca tão fina,
de vento esquivo, cortante e frio,
umedecendo telhados com densa neblina,
esfumaçando as vidraças à espera do estio.

Também caudalosa, desabo em bueiro,
deixo levar tudo o que eu fantasio,
deixo levar, no furor do aguaceiro,
as dores sofridas e os meus dias sombrios.   





terça-feira, 6 de junho de 2017

A vida que vale


Coisas para dizer eram tantas,
mas ela não conseguia...
A voz travada e presa na garganta,
por longas horas e no resto do dia...

O olhar desolado, pasmo e frio
e a lágrima que também não caía.
Para que chorar por esse vazio,
se sempre foi assim, ela que não via?

Tudo passa, e a tormenta vai indo...
Talvez alguma cicatriz, antes ferida,
mas até ela um dia vai sumindo.
Fica a vida, a vida que vale ser vivida!





domingo, 14 de maio de 2017

Fuga Vã


Teus olhos insistentes me buscavam
pelas minhas veredas insondáveis.
Olhos fustigantes, hábeis labaredas,
que insinuantes me desvendavam.
Eu me esgueirava, delirante e fugidia,
fugidia, delirante e tonta.
E fugia, fugia, fugia...
Mas para onde ir e para onde eu ia?
O que não sei ou não me dou conta?
A minha fuga era inútil, eu bem sabia,
não era do teu olhar que eu fugia,
a minha fuga era inútil, eu bem sabia,
a minha fuga era do que eu sentia...


segunda-feira, 13 de março de 2017

Só eu sei...

Quem o meu nome chama
ecoando feito um grito?
Quem por mim reclama,
suspirando no infinito?
É vão esse clamor bramido,
esvaído de  espera sem fim. 
É vão este calado gemido,
que  grita  dentro de mim...

O silêncio me estende seu manto
e encobre o que penso e o que sinto,
se sorrio, não é riso, é pranto,
se nego, só eu sei quanto minto...


                                            

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Tristeza e felicidade


É coisa da mocidade
ora  ficar contente,
ora  tomado de tristeza?
Mas na maturidade,
com certeza, um ali outro aqui,
se à toa se entristece
tão de repente sorri.

Quem, por um descuido do bordado,
misturou as cores da linha,
nesse oscilante traçado,
e a alegria que vinha,
já vinha com a tristeza ao lado?

Quem  bordou, tão displicente,
esse bordado matizado,
num tempo sem idade?
Quem bordou, na vida da gente,
esse bordado misturado
de tristeza e felicidade?

domingo, 6 de novembro de 2016

Quase...

Quase encontro, perdida procura,
quase  luz, no meio do escuro.
Quase furor, confusa ternura,
quase imploro, quase que juro.
Quase nego a minha loucura,
quase o grito vira sussurro.
Quase mãos entrelaçadas,
quase embargam toda saída.
Quase tudo, de repente, é nada,
quase tudo fica sem vida!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quem sou?


Se quem eu sou é real ou sonho,
nada me tiro ou me dou,
fico onde me proponho
ou me acompanho por onde vou...