sábado, 28 de maio de 2016

                         Despedida infinita (carta)
  
     Como despedir-se de alguém sem ir embora?

     Novamente despeço-me de ti e, uma vez mais, sei que não irei embora... Porque, na verdade, o coração fica, e ele não obedece a ordens, mesmo vindas da razão. Na primeira vez que me despedi de ti,  minha alma sangrava, e usei palavras duras, na vã tentativa de  convencer-te que era esse o único caminho e, tão inutilmente, convencer a mim, mas nunca o conseguimos... Daí, o tempo nos arremessou para horizontes infinitos e silenciosos, mas insuficientes para levar com ele os nossos corações. Até surgires, entre as nuvens desse tempo e, novamente, tocar a minha alma, num misto de ternura e saudade.
     Agora, antes que eu me dobre, e de novo retalhada de impossibilidades que me reabrem velhas chagas na alma, volto a me despedir... Desta vez, procuro as palavras mais doces e suaves, mesmo sabendo que, como antes, não nos convenceremos e que nunca, nunca irei embora, vendo ainda o meu coração pulsar nas tuas mãos e vislumbrando as tuas lágrimas confundidas às minhas.
     Despeço-me para ter a sensação de que a liberdade existe, despeço-me para deixar o ar entrar por entre as frestas dessa grade por onde nos espiamos e por onde passa sufocado e doído o nosso amor, este, eternizado, JAMAIS se despedirá.
     Tivesse eu mil vidas, em todas eu viria para viver te amando, até que, por fim, quem sabe, em alguma delas, Deus nos desse a misericórdia do encontro duradouro, sem despedidas, sem subterfúgios, sem os sobressaltos, sem envolver o nosso amor nas palavras sussurradas do medo.
      Talvez um dia te libertes, talvez um dia cries asas para voar e despir-te dos teus grilhões e, nesse dia, tenhas certeza, onde eu estiver, em que vida for, estarei te esperando!

sexta-feira, 6 de maio de 2016


             De volta

De volta a emoção resguardada
no medo silente, que nunca foi embora.
De volta a voz fugidia, sussurrada,
e aquele  arroubo tão adolescente
que nos surpreende agora.
De volta este ardor dentro da gente,
sufocado, errante e reprimido.
Amor sem ter sido amante,
amor que nunca foi vivido...