terça-feira, 27 de junho de 2017

O que deixo levar

Parecia geada a chuva branca tão fina,
de vento esquivo, cortante e frio,
umedecendo telhados com densa neblina,
esfumaçando as vidraças à espera do estio.

Também caudalosa, desabo em bueiro,
deixo levar tudo o que eu fantasio,
deixo levar, no furor do aguaceiro,
as dores sofridas e os meus dias sombrios.   





terça-feira, 6 de junho de 2017

A vida que vale


Coisas para dizer eram tantas,
mas ela não conseguia...
A voz travada e presa na garganta,
por longas horas e no resto do dia...

O olhar desolado, pasmo e frio
e a lágrima que também não caía.
Para que chorar por esse vazio,
se sempre foi assim, ela que não via?

Tudo passa, e a tormenta vai indo...
Talvez alguma cicatriz, antes ferida,
mas até ela um dia vai sumindo.
Fica a vida, a vida que vale ser vivida!