quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ponderações da sorte (crônica)

          A sorte não é um dom, não escolhe, nem predetermina, mas, é certo, anda de braços dados com a competência. Pássaro de voo imprevisível, pousa onde seu bico apontar. 
          É impossível uma pessoa bem-sucedida que tenha tão-somente sorte em sua vida. Quem  não se planeja, com perseverança, determinação e bom-senso, nunca poderá fazer boa parceria com a sorte, esta se divorciará, tão-logo vislumbre deslizes capitais, como a falta de planejamento e o consumismo exacerbado.
          A sorte é aleatória, mas exigente e implacável, não compactua nem confabula com o descaso, a preguiça e a irresponsabilidade. Quantos, jubilados pela sorte, viram sua fortuna escorrer pela sarjeta por negligência e esbanjamento?  Só com equilíbrio se norteará  a sorte por visibilidades límpidas, sem atalhos imprevistos ou sinuosidades ardilosas. 
          Deslumbramento e ganância também são fatais para a permanência da sorte, que só se estabelece em base sólida de caráter.  É avessa aos que não a levam a sério, assim como não tem sintonia com os distraídos e inconsequentes. Isso a confunde  nos seus propósitos. Tem afinidade com os que ponderam e refletem, mas entra em conflito com os ansiosos e precipitados.
           A sorte pode ser duradoura e eterna, assim como efêmera e transitória, feito o rastro de um cometa.
           Ao ser visitado pela sorte, é fundamental fidalguia na receptividade, como um bom anfitrião, para não fazer feio no banquete... 

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