quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Asas dos meus amores

Já fui borboleta quando amei ternamente,
espreguiçada nas orvalhadas
pétalas de uma flor macia,
acolhida no seu ventre.
Já fui cotovia e amei só,
e tão solitária engoli meu canto,
sem ser amada e sem ser amante.
Fui rouxinol toda exibida
e, envaidecida de mil amores,
fiz vassalos, trovadores
que me amaram do anoitecer
ao pôr do sol.

Já fui gralha agourenta
de lúgubre grunhar pungente,
doído por amar tanto,
esquecida e abandonada...
Mas hoje sou águia atenta!
Espio acima dos píncaros dos montes
a minha presa dócil e abatida...
 

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