terça-feira, 8 de novembro de 2011

Aprendendo com os animais (crônica)

Existe quem os prefere ao ser humano.
Não sou tão radical assim, mas há uma certa verdade
permeando tal bandeira.
Os gatos exercem em mim um fascínio inexplicável.
Ou explicável, uma vez que temos ambos personalidades
que se confundem.
Também amo os cães. Mas creio que são dóceis demais, subservientes demais.
Acho que isso me desconforta um pouco.
Chame-os e eles o atenderão com o imediatismo dos servos romanos.
Todavia, chame um gatinho... Ele só o atenderá após todos os cochilos
e espreguiçar;  a diferença é que quando se aproxima,  traz com ele o mais doce
dos afagos e o mais terno dos dengos que um mortal possa receber.
Os bichanos não são afeitos a mudanças radicais,
isso inclui essencialmente o ambiente onde vivem.
Sofrerão grande aperto no peito,
se o seu dono tiver que partir, e optarão,
sem constrangimentos pelo ninho ao qual são extremamente ligados.
Uma atitude longe de significar indiferença ou ingratidão,
muito mais  incapacidade de adaptação ao novo...
Observações colhidas de uma longa convivência  com uma gatinha rejeitada e doente que recolhi da rua (amo os bichos de rua),
mas sobreviveu, iluminando a minha mais bonita emoção, para trocarmos,  por doze anos,
uma convivência deliciosamente cúmplice,
até ser acometida por cruel doença nos rins.
 Antecipava-se aos meus hábitos mais simples:
quando eu chegava em casa à noite, após exaustivo dia de trabalho no jornal, recebia-me aos bocejos, confidenciando-me a tarde de sonolência que desfrutara.
Logo que eu saía do banho,já a encontrava sobre o meu travesseiro:ela sabia que eu estaria ali, por um mínimo relax,
para retomar a rotina da casa.
Escutava-me com pequenos e seguidos menear de orelhas, solidários e reconfortantes,
acompanhados do consentido espremido dos olhos, onde descrevia uma fina fresta de comiseração.
E eu me sentia a mais feliz e compreendida
das criaturas.
Ainda sinto a sua falta...

Um comentário:

  1. Totoca, minha gatinha amada, o amor incondicional mais puro que senti, a troca gratificante que me fez crescer, que me permitiu estender sobre os animais um outro olhar, de alcance jamais experimentado. Beijos de sua mãezinha que um dia a reencontrará, certamente...

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